ARTE E SOBERANIA
Arte e Soberania
Abrazo a Malvinas
Uma escultura monumental de pertencimento, memória e reivindicação pacífica da soberania argentina sobre as Ilhas Malvinas.
Abrazo a Malvinas é uma escultura monumental concebida como expressão de pertencimento, memória e reivindicação pacífica da soberania argentina sobre as Ilhas Malvinas. Por meio da arte, transforma uma causa histórica em uma experiência cultural e coletiva, convidando à reflexão sobre nossa identidade, o território e o futuro do Atlântico Sul.
O conceito artístico parte da ideia de uma obra não invasiva: o material empregado permite que ela se integre à paisagem e, ao mesmo tempo, se complete com a participação de cada pessoa. Sua forma convida o visitante a sentar-se na base; ao ficar entre os grandes arcos de aço inoxidável e estender os braços, ele descobre sua imagem refletida na superfície da escultura, projetando visualmente as mãos em direção às Ilhas Malvinas. A orientação cardeal da obra conduz o olhar para as ilhas e transforma esse gesto de afeto em um abraço simbólico que transcende a distância geográfica. O visitante deixa de ser espectador e se torna protagonista: a obra não representa apenas um abraço, mas convida cada pessoa a abraçar as Malvinas.
Arte, memória e soberania
A soberania não se sustenta apenas por instrumentos jurídicos, políticos ou diplomáticos. Ela também se constrói por meio da cultura, da memória compartilhada e do conhecimento do território.
A obra propõe uma mensagem de paz a partir do primeiro gesto de amor que sentimos ao nascer: o abraço da mãe e do pai. A esse gesto somam-se reivindicação e memória. A obra homenageia aqueles que combateram, os que perderam a vida e os veteranos de guerra, ao mesmo tempo em que reafirma a vontade de sustentar a reivindicação soberana por meio do diálogo e do direito internacional.
O abraço expressa um paradigma de aproximação e fraternidade: recordar sem confrontar, reivindicar sem renunciar à paz e transformar a memória em responsabilidade para com as gerações futuras.
Ambiente e recursos estratégicos
A questão das Malvinas também compreende a proteção do ambiente e dos recursos naturais do Atlântico Sul. Seus ecossistemas marinhos, biodiversidade, recursos pesqueiros e energéticos, juntamente com sua projeção antártica, constituem dimensões fundamentais do patrimônio natural e dos interesses estratégicos argentinos.
A soberania implica conhecer, valorizar, proteger e gerir de forma responsável os recursos do território. Nessa perspectiva, Abrazo a Malvinas vincula identidade cultural, preservação ambiental e desenvolvimento sustentável, promovendo uma consciência integral do Mar Argentino e de sua importância para as gerações futuras.
Arte e Soberania
Alberto Morales
Alberto Morales, artista plástico argentino e criador de Abrazo a Malvinas, desenvolveu, após sua Residência Artística durante a campanha de verão de 2005 do Projeto Cultural Antártico Argentino, a convite da DNA, um conjunto de obras destinado a aproximar outros públicos do que é a Antártida a partir do olhar de um artista argentino marcado pelo sentimento de pertencimento, pela identidade territorial e pela relação com a natureza austral. Sua viagem à Antártida Argentina, onde conheceu e interpretou a imensidão de seu habitat extremo, suas paisagens e sua vida cotidiana, inspirou o projeto “Al sur del Sur, Antártida Argentina” (“Ao sul do Sul, Antártida Argentina”). Essa experiência se projeta em sua obra escultórica, na qual a arte transcende a representação do território para se tornar expressão de pertencimento, memória e consciência soberana.
O projeto escultórico
A obra consiste em uma estrutura monumental de aço inoxidável 316, com aproximadamente 10 metros de diâmetro, 9 metros de altura e 5.000 kg de peso, concebida para ser instalada em espaços públicos abertos e adequada a locais à beira-mar. Não requer manutenção além de limpeza regular com água e sabão e possui durabilidade estimada entre 150 e 200 anos.
Sua superfície refletora não é invasiva: incorpora visualmente a paisagem, o céu e as pessoas, integrando a escultura ao entorno. Os arcos criam um espaço participativo no qual o corpo do visitante e seu reflexo completam o gesto artístico.
A escultura não terá pavimentação nem pedestal ornamental: sua estrutura parecerá nascer visualmente do terreno, expressando o conceito original do artista:
Um abraço que nasce da terra
A orientação para as Ilhas Malvinas é parte essencial de cada implantação, pois permite que os braços estendidos dos participantes se projetem simbolicamente em direção a elas, em uma comunhão nacional a cada aniversário de 2 de abril.
Uma iniciativa federal
Abrazo a Malvinas prevê sua implantação em diferentes cidades argentinas, construindo uma rede federal de esculturas unidas por uma mesma identidade cultural e soberana.
Cada instalação estabelecerá um vínculo simbólico entre sua comunidade e as ilhas, tornando-se um espaço público de encontro, memória e reflexão. A orientação de cada obra permitirá que, de diferentes pontos do país, as pessoas estendam os braços em direção às Malvinas e participem de um mesmo gesto coletivo.
O projeto busca articular municípios, instituições culturais, comunidades educativas, veteranos de guerra e organizações comprometidas com a memória, a paz e a proteção do patrimônio natural.
Arte e soberania: uma perspectiva estratégica
Na Fundación Argentina ASE, o projeto integra uma visão de desenvolvimento humano sustentável que articula território, ambiente, cultura e conhecimento. A arte constitui uma ferramenta para aproximar a sociedade daquilo que a distância geográfica pode tornar abstrato. Nesse sentido, Abrazo a Malvinas busca manter as ilhas presentes na consciência coletiva, vinculando a memória histórica à proteção dos ecossistemas, à valorização dos recursos estratégicos e à construção de uma identidade territorial compartilhada.

